Viva o fim do mundo

No meu caso o que me ajudou muito em minha análise foi a ótima relação que eu já tinha com minha analista antes de existir a psicanálise em nossas vidas.

Eu falei durante anos que se não fosse a análise em minha vida eu teria me matado de fato. Mas o paradoxo é que a psicanálise também me matou por muitas vezes, mas me “reencarnou” para novas vidas.

Quando eu ouço pessoas falando de fim do mundo e de previsões catastróficas, eu fico pensando em quantos fins dos mundos eu já passei e quantos todos passamos sempre.

Os meus mundos ainda acabam, mas quando eu digo a ele: “- Você já não me serve mais.”  Eu construo outro, outros. Todos imperfeitos, irregulares e mancos.

Eu me emociono quando vejo o que me construiu e o que me constitui.

As dificuldades que passei, os pesos que carreguei foram quase insuportáveis, os fins de mundos pelos quais passei, foram aterrorizantes. E eu os superei dia-a-dia, pedra por pedra.

E hoje, quem sou?

Eu sou o que me constitui. Eu sou quem sabe de mim, das minhas imperfeições, das minhas habilidades. Os meus mundos não pararam de findar, e eu compreendi que não é preciso ser perfeito para ser lindo, não é preciso ser lindo para ser admirado.

Plagiando Cazuza, “o nosso mundo a gente inventa.”

Isso é o que a psicanálise do século XXI propõe, inventar e reinventar quem se é, se responsabilizando por si, sem depender do que os que estão ao seu lado querem, é estar sempre em construção.

Não me importa se o transtorno, estou em construção para melhor atender-me.

A estranha sensação de ser vítima

É muito estranho quando fazemos algumas constatações. E aquelas constatações de que alguns ditos populares deixam de se tornar meros ditos populares e passam a ser parte de nós é uma dessas coisas estranhas e bem vindas manifestações de que um novo ser está surgindo em nós mesmos.

Quando me diziam que as adversidades fazem com que cresçamos, eu repetia, concordava e até acreditava, mas só agora com quase 40 anos é que compreendo isso com o meu corpo.

Me lembro muito bem que diante de muitas adversidades fiz um monte de coisas, menos olhar sem ser vítima da situação. É esquisito mesmo.

Como assim olhar sem ser vítima? Se tem um monte de gente que se diz meu amigo e trabalha contra mim? Se tudo que fiz foi o melhor, com a melhor das intenções, só para ajudar a todos? Ou porque me pediram? Ninguém entende o quanto eu dou duro? E mais um monte de outros argumentos que temos quando nos sentimos encurralados, ameaçados, enfim vitimizados.

Nos sentimos péssimos, incompreendidos, desconsiderados, apreensivos, angustiados e mais um monte de coisas que nem se consegue nomear. Dói no corpo e na nossa autoimagem.

A minha libertação se iniciou quando comecei a ver que aqueles que me causavam tamanho desconforto também se sentiam vitimizados assim como eu. Claro que cada um responde a situação de uma maneira e de um lugar, uns agredindo, outros se defendendo, outros se escondendo e assim por diante; cada um do seu jeito único. E por mais que eu sofresse e tentasse me explicar, contornar, confrontar, fazer com que o outro me entendesse, ele não me entenderia assim como eu também não o entenderia. Eu acreditava com toda certeza que estão contra mim.

Percebi que somos limitados. Queremos ser compreendidos e aceitos o tempo todo para que nos sintamos amados e queridos pelo outro. Da aceitação do outro depende a tranquilidade da nossa existência.

Não nos amamos e não nos reconhecemos; esperamos isso dos outros. Esperamos que o outro nos dê um belo nome. Se soubéssemos das nossas habilidadese competências, também poderíamos colocar nesse pacote; se soubéssemos das nossas limitações, não nos sentiríamos tão desvalorizados, tão vitimizados.

Ao olharmos para nós e conseguirmos saber nossas intenções para com nos mesmos, reconhecermos que acertamos mais que erramos e não ficarmos presos só em nossos erros, daremos início a uma nova relação com nós mesmos.

Sim, acertamos mais que erramos. A questão é que normalmente damos ênfase aos nossos erros supervalorizando-os em nosso cotidiano. Acordamos pela manhã e não notamos nada do que fazemos no decorrer do dia a não ser erros e mais erros.

Quantas pessoas conhecemos que se elogiam, que se reconhecem? Quantas pessoas conhecemos dizem que fizeram determinada coisa bem feita? Não é ser perfeito. Se reconhecer passa por saber suas limitações, mas não ficar parado nelas. É seguir em frente. Com olhos abertos para nossas habilidades, competências e reconhecimento para capacidade que temos em tornarmos nossas vidas mais leves, menos dolorosas e mais felizes.

O Encontro no Desencontro

Hoje sai de tarde para devolver alguns filmes na locadora e aproveitei para passar na casa de uma amiga que é no caminho, só para deixar um presente que comprei para ela há mais de seis meses quando foi seu aniversário.

Era assim, nossos horários nunca se encontravam. Quando eu ligava ela não estava ou tinha compromisso, quando ela estava disponível era eu quem não podia ir vê-la. Então para enganar o desencontro passei por lá sem avisar, pensando em deixar o presente na portaria.

Assim fui a pé para aproveitar o vento que estava fresco. Cortei caminho por uma grande praça que tem perto de minha casa e quase não a vejo como a vi. Já sai de casa diferente do que de costume.

Ao chegar à portaria do prédio, só para deixar o presente, fiquei sabendo que ela estava em casa e subi só para entregar o tal presente. Fiquei lá por mais de duas horas, conversando com essa amiga que poderia ser irmã, mas que já foi minha mãe muitas vezes e, sem saber, também já foi minha analista.

Foi uma dessas tardes privilegiadas com uma pessoa que não sei elogiar, que não conheço palavras para dizer o quanto ela é especial, o quanto ela diverge do senso comum de lidar com as pessoas. Me considero afortunada por sua presença em minha vida. Fiquei surpresa ao ouvi-la dizer o quanto aprendeu comigo. Ela começou a relatar coisas que eu disse a ela e que não deixa de colocar em prática no seu dia-a-dia.

A cada coisa que me ouvia falar e que ouvia dela, que eu contava e que ela me relembrava fui observando o quanto amadureci nos últimos anos depois que a conheci. É enriquecedor trocar com quem é tão observador e sensível.

Me lembrei de quando a conheci eu estava na fase mais difícil da minha vida e eu perguntava a ela: “Onde será que todo esse sofrimento vai me levar?” Nessa época, no auge do meu desespero ela só me ouvia e dizia para eu ter calma. Eu não tinha calma mas mesmo assim a ouvia e acreditava nela.

E hoje estar ao lado dela mas sendo outra pessoa, a pessoa calma que ela tanto me influenciou a ser. Me ver neste lugar e me lembrar de tudo que vivi, não dou  risada de nada, mas tenho orgulho de ser quem sou.

Viagem ao centro de mim

Vir a São Paulo para mim é sempre uma experiência deliciosa. Mas desta vez está sendo daqueles passeios marcantes. Marcante pela qualidade e quantidade de coisas que estou fazendo e nunca havia feito antes. O mais gostoso é que estou fazendo tudo isso sozinha, somente em minha companhia. Ou melhor, a maior parte das coisas estou fazendo sozinha.

Fui a uma peça de teatro com ingressos que ganhei de uma amiga e para minha surpresa assisti a apresentação no palco. Isso mesmo, em cima do palco. Era como se eu fizesse parte da peça, a emoção é impressionante. Ver os atores bem ali pertinho, bem ao alcance de uma observação deslocado do tradicional. Isso é privilégio, é luxo.

Acabada a apresentação procurei um lugar para jantar e sai caminhando pela Avenida Paulista, me sentindo corajosa, não pelo fato de ser noite e estar só, mas pelo exercício da potência de me dar ao luxo de andar em um lugar que acho lindo num horário fora do convencional.

Depois deste dia atravessei a Avenida Paulista mais duas vezes acompanhada do meu desejo e do meu orgulho de ser quem sou.

Diante da surpresa não há palavra para se expressar. Imagine só você chegar a uma exposição indicada por uma amiga, a mesma que deu o ingresso. Joias do Deserto da historiadora Thereza Collor, e se deparar com peças muito exóticas, totalmente novas para mim. Eram artefatos de mãos, de cabeça, pescoço e outras coisas que eu nem imaginava existir. É tão inexplicável parar em frente de peças como aquelas e ter vontade de chorar diante da beleza do inesperado, diante do não ter problema em não saber qualificar.

O ponto máximo da viagem foi assistir pessoalmente ao curso que costumo assistir online. Como moro em Goiânia e estaria em São Paulo na ocasião do curso, com gentileza permitiram que eu assistisse à aula presencialmente.

A aula foi muito, muito boa, a alegria dos meus colegas me emocionou de uma forma contagiosa. Eu me senti viva e me orgulhei de mim mesma como nunca havia me reconhecido antes.

É uma felicidade que é tão gostosa justamente por não ter como se explicar, não conheço palavras para isso e não me importa não conhecer alguma palavra ou saber explicar. Essa felicidade que senti só pode sentida com orgulho em silêncio, mas estampada no meu existir.

Só eu sou responsável por essa conquista, não de forma egoísta, afinal muitas pessoas me ajudaram estar aqui, mas se estou é pelo meu desejo. E posso dizer que me manter aqui será muito bom.

Essa viagem a São Paulo não teria o mesmo teor sem o carinho e o cuidado de uma amiga que acompanha minha jornada desde que éramos crianças. Conversas triviais entre amigas enriquecem e tornam a vida mais leve e gostosa de ser vivida.

É uma viagem de auto reconhecimento, como se eu estivesse sendo reapresentada a  mim mesma. É como vestir uma roupa que é sua. É estar em mim, como se não estivesse sempre. Precisei ir longe para chegar mais perto de mim, da minha identidade. E o melhor, me orgulhar de quem sou, da minha postura, da minha ousadia e da minha coragem que agora é reconhecida.

Postado originalmente em Andreia de Paula:

Quando alguém diz alguma coisa que nos ofende, muitas vezes ficamos desolados. Dependendo de quem disser ficaremos magoados ou com raiva ou as duas coisas. Sofremos até quando um desconhecido diz determinada coisa. Isso acontece na padaria, no supermercado, no trânsito então nem se fala.

Comumente ficamos lamentando e nos questionando por que fizeram aquilo com pessoas tão inocentes como nós.

Quando alguém diz essa coisa que nos tira do eixo, saímos de nós mesmos, empobrecemos. Nos sentimos incapazes de pensar diferente do que disseram sobre nós. Ficamos determinados por outra pessoa.

Eu poderia escrever um artigo dizendo para fecharmos os ouvidos. Mas eu escrevo para que abramos os nossos ouvidos às ofensas e aos insultos. Por que se ele te afetou há o que ser trabalhado.

A ofensa, o insulto pode ser o estímulo que faltava para nós redirecionarmos nossas vidas. Sim, redirecionar a vida.

Muita gente acredita que…

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Dúvida, a minha agora é…

Depois de assumir esse novo trabalho, tenho feito diversa coisas que eu acreditava não saber mais como fazer. Tenho me surpreendido comigo mesma.

Mas agora bateu a dúvida. Fazer assim ou assado? Conversar com um ou com outro? Pedir ou não sugestão? Reunir todos ou só alguns?  Tenho algumas saídas, mas o que pega é: “será que vou fazer a melhor escolha?”

O que mais gosto quando escrevo é que a resposta sempre acaba parecendo. Mas a resposta veio acompanhada de outra dúvida. Vou tentar explicar.

É assim, escolher uma das saídas? Sim. E neste caso só posso escolher uma.

Essa só pode ser a melhor escolha, por que não tem como escolher todas e nem duas. Eu nunca vou saber o que aconteceria se eu escolhesse a outra opção.

É minha gente, eis a grande dúvida nossa de cada dia.

Temos que suportar e conviver com as escolhas que fazemos todos os dias seja qual for o resultado.

O que escolhemos será aprovado por alguns e por outros não. O que é natural. Mas também podemos ser aprovados pela maioria ou reprovados por unanimidade. A maioria de nós quer só flores, quer só os resultados positivos e cai em desgraça quando vê pontos negativos.

Agora lá vou eu escolher uma das portas e aproveitar ao máximo o resultado, seja ele qual for. Confesso que dá um frio na barriga, como quando apresentamos nossa primeira peça na escola ou nas entrevistas para emprego ou nos arrumamos para ver aquela pessoa tão especial.

É de escolhas em escolhas que temos a oportunidade de nos construirmos e nos fazermos presentes na vida. Ou melhor, é de suportar as escolhas que fazemos é que construímos nossa vida. Fazemos escolhas o tempo todo e poucas geram tantas dúvidas.

O suportar as escolhas nos faz quem somos. Suportar escolhas é passar por cima das opiniões contrárias e saber que fizemos o nosso melhor e nos sentimos orgulhosos por que fizemos e não ficamos presos na dúvida.

OFENSAS E INSULTOS

Quando alguém diz alguma coisa que nos ofende, muitas vezes ficamos desolados. Dependendo de quem disser ficaremos magoados ou com raiva ou as duas coisas. Sofremos até quando um desconhecido diz determinada coisa. Isso acontece na padaria, no supermercado, no trânsito então nem se fala.

Comumente ficamos lamentando e nos questionando por que fizeram aquilo com pessoas tão inocentes como nós.

Quando alguém diz essa coisa que nos tira do eixo, saímos de nós mesmos, empobrecemos. Nos sentimos incapazes de pensar diferente do que disseram sobre nós. Ficamos determinados por outra pessoa.

Eu poderia escrever um artigo dizendo para fecharmos os ouvidos. Mas eu escrevo para que abramos os nossos ouvidos às ofensas e aos insultos. Por que se ele te afetou há o que ser trabalhado.

A ofensa, o insulto pode ser o estímulo que faltava para nós redirecionarmos nossas vidas. Sim, redirecionar a vida.

Muita gente acredita que o caixa deu um troco errado porque estava querendo roubá-lo. Quando não aprontam um escândalo, saem dizendo para todo mundo que foi roubado em tal lugar por uma pessoa mal-intencionada. Não é mais fácil conferir o troco , aproveitar para ficar mais atento. E não se importar com as supostas intenções de quem quer que seja.

Leva uma fechada no trânsito, sai achando que o cara não gostou de você. Esses dias eu fiquei chateada por que um homem me deu passagem no trânsito com uma cara horrível, com semblante de intolerância. Logo depois pensei comigo mesmo: “eu queria a passagem ou fazer amizade no trânsito?”

Chega de drama. Eu queria a passagem, eu quero meu troco correto. Simplesmente, por que ninguém pode me ofender, eu sou quem me sinto ofendida.

Esquisito, sim. Mas é a verdade.

Em casa, no trabalho, na faculdade, etc. Essas relações são mais complexas mesmo. Mas é hora de reavaliar sua postura. Se o que disseram, se o que viu é tão absurdamente falso por que sofrer? Mas se está sofrendo, por um julgamento mentiroso a seu respeito, redirecione sua vida.

Eu levei anos para compreender que ofensas, insultos só podem me fazer sofrer se eu ficar parada neles. Se eu ficar remoendo.

Tenho aprendido também que às vezes levo mais tempo para compreender determinadas coisas. Mas eu já sei que se me sinto ofendida ou insultada, bem ali tem uma intersecção para que eu redirecione minha vida.

Se a cada intersecção, por menor que seja, nós parássemos para reavaliar o que nos tirou de nós, nós conseguiríamos ter uma vida com menos entraves e menos angústias.

Pense nisso. Eu tenho pensado e muitas coisas já passam sem que eu me ofenda ou me sinta insultada.

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